X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

ESTRUTURA DA COMUNIDADE DE MORCEGOS (MAMMALIA: CHIROPTERA) NO SUL DA SERRA DA MANTIQUEIRA, SAO PAULO, BRASIL

Resumo

É unânime entre a maioria dos conservacionistas, desde meados do século 20, que a Mata Atlântica é considerada um dos biomas mais ameaçados do planeta, uma vez que lidamos com aproximados 7% da sua cobertura vegetal original. Devido ao elevado grau de ameaça no qual se encontra, os estudos de diversidade-α neste hotspot mostram-se de suma importância para inferir sobre medidas de manejo e conservação. Os morcegos tornam-se bons objetos para estudos com viés ecológico, não apenas por serem sensíveis aos diferentes tipos de ações antrópicas, mas devido à sua abundância e relevância na manutenção de ecossistemas tropicais. O objetivo para este estudo é analisar a estrutura da comunidade de morcegos na porção sul da Serra da Mantiqueira. As incursões a campo se deram entre março de 2016 a abril de 2017, em 40 noites de amostragem nos municípios de São José dos Campos, Pindamonhangaba, Santo Antônio do Pinhal e Piquete. Cada município foi amostrado em 10 pontos de coleta. As capturas ocorreram por meio da utilização de 10 redes-de-neblina (2.5x12m), com malha de 20mm e abertas durante um período de seis horas, ao início do crepúsculo. A curva do coletor e o escalonamento multidimensional não-métrico (n-MDS) foram analisados no software R (R Core Development Team) com as respectivas funções rare.curve e meta.mds do pacote “vegan”. Quanto aos gráficos, estes foram gerados com o pacote “ggplot2”. Ainda com o mesmo software, o estimador Chao-Jost inferiu sobre a riqueza de espécies da região, através da função Diversity do pacote “spadeR”. Com um esforço amostral de 14.400 m²/h/rede, as capturas resultaram em 664 indivíduos e 23 espécies, alocadas em Molossidae: Molossus molossus (3), Molossops neglectus (1); Phyllostomidae: Carollia perspicillatta (199), Desmodus rotundus (16), Anoura caudifer (27), Anoura geoffroyi (15), Glossophaga soricina (38), Micronycteris megalotis (2), Chrotopterus auritus (1), Phyllostomus hastatus (1), Artibeus fimbriatus (2), Artibeus lituratus (72), Artibeus planirostris (52), Platyrrhinus lineatus (13), Platyrrhinus recifinus (2), Pygoderma bilabiatum (12), Vampyressa pussila (4) e Sturnira lilium (177); Vespertilionidae: Eptesicus brasiliensis (1), Myotis levis (1), Myotis nigricans (4), Myotis riparius (9) e Myotis ruber (6). A curva do coletor não atingiu a assíntota, no entanto, é válido salientar uma forte tendência à estabilização, na qual foram inventariadas 23 (82,14%) das 28 espécies estimadas para a região. O valor de R²=0,95 apresentado no n-MDS, demonstra uma ordenação de dados bem próxima do real, enquanto o stress=0,22 corrobora a não-existência de agrupamentos, indicando que a composição de espécies entre as quatro áreas amostradas é similar. Tais comunidades se estruturam idem ao descrito para a maioria dos estudos na região sudeste: compostas majoritariamente por filostomídeos, sendo C. perspicillatta e S. lillium as espécies mais comuns, representando 56,62% do total de capturas, assim como A. lituratus é o stenodermatíneo mais abundante.

Palavras-chave

composição de espécies; Mata Atlântica; riqueza; similaridade de espécies.

Financiamento

CAPES/FAPEMIG

Área

Inventário de Espécies

Autores

Lucas Laboissieri Del Sarto Oliveira, Matheus Camargo Silva Mancini, Rafael de Souza Laurindo, Ana Beatriz Ligo, Letícia Langsdorff Oliveira, Arthur Setsuo Tahara, Renato Gregorin