X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

RELATO DE CASO DE DESTRUIÇAO DE ABRIGO UTILIZADO POR COLONIA MATERNIDADE DO MORCEGO TADARIDA BRASILIENSIS DURANTE O PERIODO REPRODUTIVO NO EXTREMO SUL DO BRASIL

Resumo

Tadarida brasiliensis (Chiroptera, Molossidae) é um morcego insetívoro que controla populações de insetos, inclusive alguns considerados pragas agrícolas. A espécie é abundante no Sul do Brasil, principalmente no estado do Rio Grande do Sul, onde ocorre em áreas urbanas, utilizando construções como abrigo e gerando conflitos com humanos. O período reprodutivo ocorre na primavera e verão, quando são formadas as colônias maternidade que abrigam milhares de indivíduos, onde os filhotes recebem cuidados parentais até adquirirem capacidade de voo. O objetivo do trabalho é relatar uma intervenção no telhado de uma casa utilizado como abrigo por uma colônia de T. brasiliensis durante a estação reprodutiva, no extremo sul do Brasil. No dia 19 de dezembro de 2018, no centro da cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, no Bioma Pampa, uma colônia maternidade da espécie foi desalojada durante a reforma realizada pelo proprietário na estrutura do telhado da referida casa. Os filhotes foram transferidos para uma caçamba contratada para deposição dos entulhos provenientes da obra.  Após denúncia, a Polícia Ambiental da Brigada Militar foi acionada para registro da ocorrência e os filhotes foram levados por agentes do Departamento de Vigilância Ambiental em Saúde da Prefeitura de Pelotas ao Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre da Universidade Federal de Pelotas (NURFS-CETAS/UFPel). Os filhotes foram examinados por uma equipe de médicos veterinários e biólogos.  Foram contados 680 espécimes de T. brasiliensis, todos filhotes, sem capacidade de voo e com pequenas diferenças de desenvolvimento entre eles. Provavelmente, todos os indivíduos adultos abandonaram o abrigo durante a retirada do telhado. No momento da recepção dos morcegos no NURFS-CETAS, a maior parte dos indivíduos já estava morta.  Os animais vivos apresentavam sinais de hipotermia, hipoglicemia ou tinham ferimentos diversos. Desta forma, optou-se pela eutanásia dos morcegos, por se tratar de filhotes com fragilidades neonatais, como ausência de pelos, incapacidade de voo e de forrageamento. O procedimento de eutanásia foi realizado por médicos veterinários, utilizando anestésico inalatório Isoflurano.  O presente relato ilustra as consequências desastrosas da intervenção de pessoas não treinadas em construções humanas utilizadas como abrigos por morcegos durante a época reprodutiva. A intervenção relatada culminou na morte dos filhotes da colônia e expulsão de todos os indivíduos adultos, podendo ter consequências severas, incluindo distúrbios em outros abrigos da espécie, interações agressivas e mortalidade. Morcegos são animais protegidos pela Lei de Proteção à Fauna (nº5.197) e a Lei de Crimes Ambientais (nº9.605), cujas diretrizes apontam como crime toda e qualquer perseguição e ataque a animais da fauna brasileira, das quais são dispostas sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Formulação de políticas coletivas, como ações de sensibilização ambiental nas comunidades e capacitação de técnicos dos órgãos municipais são ferramentas potentes e necessárias para que transgressões ambientais sejam cada vez menos comuns. A remoção de colônias de T. brasiliensis deve receber orientação adequada, podendo ocorrer, se necessário, quando não há presença de filhotes, em períodos estacionais de outono e inverno.

 

Palavras-chave

Chiroptera. Conservação. Educação ambiental. Espécie sinantrópica.  Manejo de fauna. Molossidae. Mortalidade.

Financiamento

Área

Biologia da Conservação

Autores

Paulo Quadros Menezes, Thassiane Targino Silva, Marco Antônio Afonso Coimbra, Paulo Mota Bandarra, Ana Maria Rui