X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

SISTEMATICA MOLECULAR DE ALOUATTA FUSCA E A. CLAMITANS (ATELIDAE, ALOUATTINAE)

Resumo

A última revisão do gênero Alouatta baseada em caracteres morfológicos identificou 11 espécies para o Brasil. Entre as espécies brasileiras, as espécies A. fusca e A. clamitans (sensu Gregorin, 2006) compõe o grupo fusca, sendo consideradas subespécies por alguns autores. Alouatta fusca e A. clamitans ocorrem na Mata Atlântica, sendo A. clamitans, distribuída desde o Rio Grande do Sul até Rio de Janeiro, e A. fusca do norte do Rio de Janeiro até o sul da Bahia. A delimitação entre as espécies e a área de ocorrência, principalmente de A. fusca, não é bem estabelecida, com poucos trabalhos publicados com informações sobre distribuição, morfologia e filogenia molecular destes táxons. Além disso, as sequências depositadas no GenBank para análises moleculares são todas de localidades conhecidas para Alouatta clamitans. O objetivo desse trabalho é delimitar e identificar a diversidade genética do complexo de espécies fusca através de análise filogenética e de Median-joining utilizando o gene mitocondrial Citocromo b. O DNA de 69 amostras foi isolado, amplificado e sequenciado pelo método de Sanger, sendo 65 previamente identificadas como A. clamitans e quatro como A. fusca. Outras 30 sequências de A. clamitans foram retiradas do Genbank. As sequencias utilizadas são de localidades que abrangem a distribuição das duas espécies, dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O programa DNAsp v.6.12.03 foi utilizado para identificação dos haplótipos. Para a topologia de Máxima verossimilhança (MV) foi utilizado o programa IQ-TREE v. 1.6.10 4, e para a análise de Median-Joining (MJ) o programa Network. A MV mostrou a presença de pelo menos três haplogrupos (A, B e C) dentro do complexo fusca, tendo A. belzebul como espécie filogeneticamente mais próxima. O haplogrupo A com 39 sequências e oito haplótipos e B com 31 sequências e nove haplótipos, agrupadas a um clado com alto suporte à parte do haplogrupo C, com 29 sequências e seis haplótipos, com alto suporte. A identificação foi baseada na área de ocorrência conhecida para cada táxon, sendo os haplogrupos A e B do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e parte de São Paulo atribuídas a A. fusca, e haplogrupo C, das localidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, atribuída a A. clamitans. A análise de MJ realizada com o programa Network foi concordante com o resultado obtido na MV, em separar o haplogrupo C dos haplogrupos A e B por pelo menos 11 mutações e um vetor médio, também separou os haplogrupos A e B por pelo menos seis mutações e um vetor médio. Cada um dos haplogrupos mostrou baixa diversidade genética e a presença de um haplótipo ancestral grande com a configuração em forma de estrela. Os resultados obtidos mostram que a área de distribuição de A. clamitans e A fusca podem ser diferentes da distribuição conhecida, sendo mais ampla para A. fusca e menor para A. clamitans.

Palavras-chave

Primates, bugio, guariba, filogenia, mitocondrial.

Financiamento

Capes, Faperj, CNPq

Área

Genética

Autores

Cintia Povill, Filipe Vieira Santos de Abreu, Ricardo Lourenço de Oliveira, Fernando Araujo Perini, Cecília Bueno, Cibele Rodrigues Bonvicino