X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


TÍTULO

ESTRADA DA MORTE: PADRAO SAZONAL DE ATROPELAMENTO DE MAMIFEROS NO SEMIARIDO

Resumo

As redes de transporte são primordiais no desenvolvimento social e econômico, portanto, co-determinam as tipologias de uso e o nível de interferência antropogênica sobre as paisagens naturais. As estradas são preocupantes para conservação da biodiversidade. Os efeitos sobre a biodiversidade podem afetar a permanência da vida selvagem de quatro maneiras principais: perda de habitat; inacessibilidade de recursos, subdivisão de população e mortalidade no trânsito. Este último, é um dos impactos mais direto da operação das rodovias ocasionando expressivos danos à biodiversidade e à saúde dos usuários das estradas. As estimativas mostram que mais de 475 milhões de animais selvagens estão sendo mortos anualmente no Brasil, sendo que o Nordeste abrange 10% deste montante. O objetivo do presente trabalho foi verificar qual o padrão sazonal do atropelamento de mamíferos em rodovia de mão dupla em uma região semiárida. Nós monitoramos de carro a 40 km/h, durante 36 campanhas, os atropelamentos de mamíferos silvestres em um trecho de 40 km da BR-122 localizada entre os municípios de Quixadá e Ibaretama no Estado do Ceará. Verificamos se há correlação entre esses atropelamentos e os períodos seco (jun-dez) e chuvoso (jan-mai) e se há associação significante (p >0,05) entre a precipitação, umidade e temperatura do ar durante o período de campanha e o número de atropelamentos. Registramos 78 indivíduos (0,46 ind/km/ano) com o esforço amostral de 1400 km. No período seco foram registrados 56 indivíduos e no período chuvoso foram registrados 17 indivíduos.  A espécie Cerdocyon thous representou 59 indivíduos do total de atropelamentos. As espécies registradas possuem hábito generalista, com exceção da espécie Leopardus emiliae, com duas ocorrências. Registramos um maior número de atropelamentos nos meses de junho (12) e agosto (13). Nos meses mais chuvosos, fevereiro (5) e abril (3), registramos o menor número de atropelamentos.  Com o aumento da chuva houve uma diminuição nos registros de atropelamentos. A associação entre a precipitação e o número de atropelamentos foi significante (p > 0,05). A taxa de atropelamento foi equivalente ao de outras pesquisas nas demais regiões do país com metodologia semelhante. A grande capacidade de deslocamento de espécies como a raposa a torna mais vulnerável aos atropelamentos ao buscar alimento e água no período seco. No período chuvoso, há acúmulo de água e maior disponibilidade de recursos nas áreas de refúgio e descanso, diminuindo o número de colisões. A sazonalidade da região semiárida pode interferir no comportamento das espécies locais, favorecendo o atropelamento em dias mais quentes e secos. Sugerimos a implantação de sinalização vertical na rodovia, cercas guia para direcionar para pontos de passagem como pontes e canais presentes no trecho monitorado. E monitoramento da dinâmica populacional da espécie Cerdocyon thous para dimensionar a gravidade desses atropelamentos na população local e acompanhamento dos atropelamentos da espécie Leopardus emiliae, ameaçada de extinção, principalmente no período de estiagem, período de ocorrência desses atropelamentos.

Palavras-chave

fauna silvestre, sazonalidade, colisões

Financiamento

CORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR

Área

Biologia da Conservação

Autores

LUIZA TEIXEIRA DE ALMEIDA, João LuÍs SAMPAIO OLÍMPIO, JOSÉ CARLOS DE ARAÚJO