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Dados do Trabalho


TÍTULO

EFEITO DO FUNGICIDA MANCOZEB SOBRE A CAPACIDADE ANTIOXIDANTE DO TECIDO MUSCULAR NO MORCEGO FRUGIVORO ARTIBEUS LITURATUS

Resumo

Ao forragearem em culturas tratadas com pesticidas, morcegos frugívoros acabam sendo expostos diretamente a esses químicos através da alimentação. O mancozeb é um fungicida de superfície pertencente ao grupo dos ditiocarbamatos que apresenta atividade preventiva, inibindo a germinação dos esporos. Além disso, é um dos pesticidas mais utilizado no Brasil em lavouras e, em função da sua instabilidade estrutural, gera no ambiente compostos com já relatadas atividades carcinogênica, goitrogênica, teratogênica e mutagênica. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos de baixas concentrações do fungicida mancozeb (MN) sobre a capacidade antioxidante no tecido muscular de morcegos Artibeus lituratus.Machos adultos foram coletados com redes de neblina e alimentados com frutas aspergidas com calda contendo 0 g/L (Controle, n=8) e 3,5 g/L (MN, n=8) de mancozeb por 21 dias. Ao fim do tratamento os animais foram eutanasiados por decapitação e pesados. Parte do músculo peitoral foi coletado, homogeneizado, centrifugado e o sobrenadante resultante foi utilizado para mensurar a atividade das enzimas antioxidantes Superóxido dismutase (SOD), Catalase (CAT), e quantificar os marcadores de estresse oxidativo malondialdeído (MDA) e proteínas carboniladas. Dentre as análises feitas foi observado um aumento significativo na concentração de MDA nos animais tratados quando comparados os dois grupos, sugerindo assim um aumento na taxa de peroxidação lipídica do tecido muscular de A. lituratus expostos a concentrações ambientalmente relevantes de mancozeb em função da ação de espécies reativas de oxigênio. Os demais parâmetros permaneceram inalterados. A ausência de alterações nas atividades das enzimas antioxidantes pode ser explicada pela exposição crônica ao fungicida. Estudos prévios já mostraram alterações na capacidade antioxidante do fígado e rins desses animais expostos ao mesmo pesticida, evidenciando que talvez o tecido muscular pode não possuir uma defesa antioxidante efetiva. Os resultados observados podem indicar que o tecido muscular de A. lituratus é sensível à exposição ao fungicida mancozeb e o uso desse pesticida pode influenciar negativamente na conservação dessa espécie. Além disso, os resultados demonstram que essa espécie apresenta potencial de estudo como bioindicador ambiental.

Palavras-chave

Artibeus lituratus, mancozeb, antioxidante

Financiamento

CNPq, CAPES, FAPEMIG

Área

Fisiologia

Autores

Pedro Henrique Costa Neves, Mariella Bomtempo Freitas, Bárbara silva Linhares, Renata Maria Pereira Freitas, Stella Bicalho Silva